Jaime Nogueira Pinto


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Jaime Nogueira Pinto é licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa e doutorado em Ciências Sociais pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica, onde lecciona cadeiras nas áreas das Ciências Políticas e das Relações Internacionais. Foi também professor na UCP e na Universidade Lusíada e conferencista no IDN, no IAEM, na Academia da Força Aérea e no Instituto Superior de Ensino Militar de Angola. É Presidente do Conselho de Administração da Fundação Luso-Africana para a Cultura e membro da direcção de várias associações ligadas à cooperação internacional na área euroamericana e do Mahgreb. É também membro de várias Fundações e Associações Políticas internacionais, como a Heritage Foundation (Washington DC) e o IEP. Publicou várias obras sobre História contemporânea portuguesa, (O Fim do Estado Novo e as Origens do 25 de Abril, A Direita e as Direitas, Introdução à Política). Foi administrador da Bertrand, S.A., director d’O Século e colaborador regular de orgãos da imprensa, rádio e televisão. Profissionalmente é administrador e accionista de empresas na área de business intelligence e aconselhamento estratégico, bem como de segurança privada. É casado com Maria José Nogueira Pinto e tem 3 filhos.

“O título do livro é o que melhor define esta história e histórias que tinha para contar, pois é bastante ambíguo, porque, de facto, são jogos, jogos de 20 anos de política africana em que estive presente”, sublinhou Nogueira Pinto, aludindo ao horizonte temporal (1974/2004) da narrativa em que procurou ser “neutro” e “factual”.
“Procurei fazer uma narrativa realista, às vezes até chocante e brutal, pelo seu realismo”, acrescentou, referindo, porém, que “Jogos Africanos” é uma “consequência” da intervenção externa, “dos não africanos”, num continente “recém-chegado à estatalidade”.
O primeiro contacto com a realidade africana, em Junho de 1974, dois meses após a revolução de 25 de Abril em Portugal, as primeiras amizades com políticos, militares e guerrilheiros, negociadores de uma geração que era, afinal, a sua, levaram Nogueira Pinto a participar em vários processos, umas vezes como espectador outras como actor.
Na obra, Nogueira Pinto dá conta do seu envolvimento nas “intrigas e momentos decisivos” daqueles três países, com particular destaque para o caso angolano (13 dos 18 capítulos) e ao seu relacionamento com o líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), Jonas Savimbi, morto em combate em Fevereiro de 2002.
Cruzando a sua história pessoal com os relatos dos vários protagonistas da política africana, o autor procurou, disse, “contar alguns episódios”, os jogos e as razões do poder, da guerra e do dinheiro, “entrosados com as ambições e paixões humanas”.
Partindo da chegada a Luanda, Nogueira Pinto relata os primeiros encontros, os Acordos de Alvor, a amizade com Savimbi, a guerra civil angolana, os encontros de Gbadolite e a “euforia” dos Acordos de Bicesse, as eleições de 1992, o recomeço da guerra civil, as guerras nos Congos (Kinshasa e Brazzaville), a queda dos bastiões da UNITA (Bailundo e Andulo) e a morte do líder do movimento do Galo Negro.
Ao longo das 528 páginas, editadas pela “A Esfera dos Livros”, e falando também das suas relações com políticos norte-americanos, Nogueira Pinto faz uma incursão a Moçambique, onde destaca a relação com Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), narra as causas e consequências de 15 anos de guerra civil e as negociações para a paz, celebrada em 1992.
 Sobre a Guiné-Bissau, Nogueira Pinto disse ter-lhe dedicado “apenas meio capítulo”, em que conta a sua passagem por esse país dias antes da morte de Ansumane Mané, o líder da rebelião que depôs, na sequência do conflito militar de 1998/99, o regime do então presidente João Bernardo “Nino” Vieira, hoje novamente chefe de Estado.
“Devo ser das últimas pessoas que tirou uma fotografia com Ansumane Mané. Dez dias depois, foi morto”, sublinhou, sem adiantar qualquer opinião sobre o que então sucedeu. “Não escrevi tudo o que sei, porque há coisas que não se podem contar pelas mais variadas razões, desde políticas às de Estado, passando até pelas de amizade e estima pessoais”, frisou Jaime Nogueira Pinto, natural do Porto, onde nasceu a 04 de Fevereiro de 1946 (62 anos), e autor de “António de Oliveira Salazar – O Outro Retrato”, que já vai na sexta edição.
 “Jogos Africanos” é lançado na tarde de hoje, segunda-feira, no Salão Nobre da Associação Comercial de Lisboa e será apresentado pelo embaixador e amigo do autor Francisco Seixas da Costa.
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