Compra de Voto: Por António Cahebo


compra-de-votos-1A compra do voto é uma realidade nas eleições de vários países. Algumas observações empíricas confirmam que as eleições são caracterizadas por uma intensa negociação de bens materiais, favores administrativos e promessa de cargos (Gimbi;2006)[i]. Essas promessas de cargos após eleições, são os denominados por alguns autores como Job for the Boys[ii] e constituem, dentre estas variáveis, a mais sonante e sendo uma prática antiga, ela decorre dentro de determinados padrões recorrentes.

A compra do voto pode ser organizada por integrantes da própria máquina da campanha do candidato, através de distribuições de certos bens pelo candidato, que com recurso próprio ou de terceiros, conseguem comprar voto para um candidato, por exemplo, grupo de advogados que prestam serviços de advogacia gratuitamente, ou por outros agentes eleitorais que “profissionalizaram” a negociação dos votos. Estes últimos estão geralmente ligados a uma filiação partidária e actuam como uma espécie de intermediários permanente de serviços públicos e outros favores.

A dificuldade da interação entre a administração e o cidadão e o caracter opaco dos órgãos públicos são a base para este facilitador que, ao contrário dos outros agentes, actua não só no período eleitora, mas de forma permanente mesmo em anos em que não há eleições.

Ora, esta pratica se depara com a questão pratica de garantir que o eleitor cumpra a contrapartida e vote no candidato indicado. No contexto do voto secreto há basicamente dois tipos de soluções para esta problemática. No primeiro caso o candidato ou o seu representante procuram aceder de variares formas a informação sobre o comportamento eleitoral, detetando assim os traidores. Com a modernização do processo eleitoral, as possibilidades para soluções técnicas tornam-se mais estreitas. Outra forma de resolver a incerteza quanto ao comportamento do eleitor é pela construção de uma relação de confiança ou de um compromisso moral, compensando, desta forma, a falta de mecanismos de sanção.

Como em outros arranjos corruptos, as redes de clientelismos permanentes, baseadas em relações pessoais a longo prazo (actuando nesta vertente os intermediários profissionais) revelam-se mais eficientes contra possíveis traições comparadas com arranjos corruptos baseados em uma relação de troca a curto prazo.

[i] Joaquim Gimbi, Estratégias para vencer nas eleições e na Democracia, Ed. Nzila 2006, pag 26

[ii] Segundo Ana do Espirito Santo in Sociologia Politica e Eleitoral

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