ANÁLISE DO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO DA AJPD


Hitler Samussuku

RESUMO

O presente trabalho aborda questões relativas ao processo de tomada de decisão na Associação, Justiça, Paz e Democracia. Surgi no âmbito da segunda prova na disciplina de Tomada de decisões políticas. O estudo da resposta a uma questão pertinente e justifica-se como um tema de interesse para sociedade. O nosso estudo têm como objectivo analisar o processo de tomada de decisão na AJPD. E, é justificado pelo papel que esta associação vêm desempenhado na sociedade angolana e não só,  a sociedade civil angolana têm dado um contributo louvável desde o seu surgimento na década de 90 com a abertura do regime, contribuiu também na pacificação de Angola e continua a prestar seu contributo para a efectivação do regime democrático.Para realização deste trabalho, fizemos uma pesquisa de natureza básica que objectiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência, sem aplicação práticam prevista. Quanto aos objectivos da pesquisa optamos por uma pesquisa exploratória que tem como objectivo proporcionar maior familiaridade com oproblema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Para isto, houve a necessidade de fazer um levantamento bibliográfico, o que representa também como uma pesquisa bibliográfica, na qual é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos,como livros, artigos científicos, páginas de web sites.

.Palavras chaves:Sociedade civil, AJPD,Associação, Justiça,Paz e Democracia, Tomada de decisão política

INTRODUÇÃO

O presente estudo aborda questões relacionado com o processo de tomada de decisão na Associação Justiça , Paz e Democracia. Uma organização da sociedade civil angolana que procura com a sua intervenção contribuir para a consolidação do Estado de Direito e democrático.Procuramos com esta pesquisa dar resposta a seguinte questão: Como decorre a tomada de decisão na Associação Justiça, Paz e Democracia? Tivemos a seguinte hipótese,as decisões são tomadas de forma colectiva devido a forma como é hierarquizado o organigrama desta associação.

O nosso estudo têm como objectivo analisar o processo de tomada de decisão na AJPD.E, é justificado pelo papel que esta associação vêm desempenhado na sociedade angolana e não só,  a sociedade civil angolana têm dado um contributo louvável desde o seu surgimento na década de 90 com a abertura do regime, contribuiu também na pacificação de Angola e continua a prestar seu contributo para a efectivação do regime democrático.

Para realização deste trabalho, fizemos uma pesquisa de natureza básica que objectiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência, sem aplicação práticam prevista. Quanto aos objectivos da pesquisa optamos por uma pesquisa exploratória que tem como objectivo proporcionar maior familiaridade com oproblema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a construir hipóteses. Para isto, houve a necessidade de fazer um levantamento bibliográfico, o que representa também como uma pesquisa bibliográfica, na qual é feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos,como livros, artigos científicos, páginas de web sites.

O trabalho está estruturado em três capítulos, o primeiro aborda questões relativas ao conceito de sociedade cívil na prespectiva de vários autores, o segundo capítulo do nosso estudo apresenta uma análise contextualizada do nosso objecto de estudo e finalmente o terceiro capítulo procura consolidar o estudo dando enfoque ao processo de tomada de decisão na AJPD.

CAPÍTULO I: SOCIEDADE CÍVIL

1.1       ORIGEM

O que antes era uma esfera da sociedade burguesa foi redescoberta recentemente, porém em constelações históricas completamente dessemelhantes, tal como podemos constatar:

O atual significado da expressão “sociedade cívil” não coincidi com o da “sociedade burguesa”, da tradição liberal, que Hegel chegara a tematizar como “sistema das necessidades”, isto é, como sistema do trabalho social e do comércio de mercadorias numa economia constituída através do direito privado e dirigida através do trabalho, do capital e dos mercados de bens, como ainda acontecia na época de Marx e do marxismo. (Habermas, 1997).

Nasce, portanto, com a instituição de um poder comum que só é capaz de garantir aos indivíduos associados alguns bens fundamentais como a paz, a liberdade, a propriedade, a segurança, que, no Estado natural, são ameaçados seguidamente pela explosão de conflitos, cuja solução é confiada exclusivamente à autotutela.

Entretanto, “o seu núcleo da sociedade civil forma uma espécie de associação que institucionaliza os discursos capazes de solucionar problemas, transformando-os em questões de interesse geral no quadro de esferas públicas”. (Habermas, 1997)

Ao consultarmos o verbete “ Estado Moderno” no Dicionário de Política nos encontramos a visão de Pierangelo Schiera que defende a sociedade civil nos seguintes termos:

É por essas vias e sobretudo na base do desenvolvimento econômico, verdadeiro princípio unificador dos interesses comuns dos súditos, severamente empenhados não apenas na defesa das coisas privadas mas na valorização política do domínio privado, que se foi formando a moderna “sociedade civil” como conjunto organizado dos interesses privados, e, dentro dela, a primordial diferenciação em classes, na base de uma dominação sempre menos contrastada conseguida pelo novo modo de produção capitalista. (Norberto Bobbio, 1986) p.429

Já a concepção liberalista defendida por Nicala Mateucci que nos pareceu muito simples enfatiza a sociedade civil, “como espaço natural do livre desenvolvimento da individualidade, em oposição ao Governo” (Norberto Bobbio, 1986).

Depois da breve apresentação da origem da Sociedade Civil vale apena expôr alguns conceitos sobre a questão em apreço.

1.2       CONCEITUALIZAÇÃO

O termo sociedade civil refere-se às organizações autônomas que existem entre as instituições estatais, de um lado, e a vida privada dos individuos e comunidades, de outro lado. O conceito compreende um amplo espetro de associações beneficentes e movimentos sociais, ou seja, um grande conjunto de organizações e grupos representando diferentes interesses sociais e tipos de actividades.

Com base a esta ideia, (Habermas, 1997), defende que, a sociedade civil compõe-se de movimentos, organizações e associações, os quais captam os ecos dos problemas sociais que ressoam nas esferas privadas, condensam-nos e os transmitem ,a seguir, para a esfera pública política.

Enquanto que, Michael Schubson acrescenta que “é constituída por todas as instituições intermédias entre o Estado e as pessoas privadas- a igreja, os medias, os partidos políticos e as associações de qualquer espécie, por intermédio das quais as pessoas de diferentes áreas privadas se reúnem para decidir acerca de assuntos públicos (Nery, 2004.)

É assim que, José Patricio adverte-nos da seguinte forma:

Os regimes democráticos não se esgotam na instituição pura e simples de Estado de Direito baseado na clássica separação de poderes entre os órgão de soberania, mas edificam-se e solidificam-se também através de uma malha de organizações não-governamentais e associações cívicas de várias índole, com papel activo e actuante em defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos». (Bravo, 1996)

Em outras palavras, a sociedade civil é representada como o terreno dos conflitos econômicos, ideológicos, sociais e religiosos que o Estado tem a seu cargo resolver, intervindo como mediador ou suprimindo-os; como a base da qual partem as solicitações às quais o sistema político está chamado a responder; como o campo das
várias formas de mobilização, de associação e de organização das forças sociais que impelem à conquista do poder político. (Norberto Bobbio, 1986)

Em suma, a sociedade civil é no nosso entender a vida social organizada que assegura a dinâmica política, cultural e económica perante o Estado, tanto no âmbito público como privado.Existe sociedade civil em Angola? Em que contexto emergiram? Essas questões são respondidas de forma sucinta no capítulo que a seguir.

CAPÍTULO II: A SOCIEDADE CÍVIL ANGOLANA

2.1       BREVE REFERENCIAL HISTÓRICO

A sociedade civil, no sentido convencional do termo, tem uma presença reduzida em Angola em virtude de um passado repressivo imposto pelos governos colonial e pós-colonial. (Oliveira, 2015)

No entanto, a independência de Angola foi proclamada unilateralmente pelo MPLA em 1975, na sequência de uma guerra civil que desrespeitava os Acordos de Alvor que contava com os três legitimos representantes angolanos, FNLA,MPLA e a UNITA.

Tomado o poder, o MPLA adoptou o marxismo-leninismo como ideologia oficial, em 1976, e transformou-se em «partido de vanguarda», assumindo a denominação de MPLA-Partido do Trabalho (MPLA-PT) em 1977. (Hodges, 2003)

Para compreensão deste assunto, vale apresentar as ideias de Benjamin Castello apud Cesaltina Abreu considera que :

Nos primeiros quinze anos pós-independência , a rigidez do sistema político vigente permitiu somente a emergência de organizações sociais subordinadas ao regime ou fiéis ao seu serviço, o que significou uma obediência absuluta ao partido no poder.Durante este periodo a sociedade civil angolana não exercia nenhum protagonismo digno de realce.Salvo na diáspora. (Santos, 2012)

Todavia,depois do abandono formal do marxismo-leninismo pelo partido no terceiro congresso, escreveu (Hodges, 2003), “em Dezembro de 1990, foi aprovada, em Maio de 1991, uma lei de revisão constitucional (a lei nº12/91) que coincidiu com os Acordos de Bicesse. Essa lei instituiu um Estado de Direito democrático baseado no respeito pelos direitos humanos e introduziu um sistema político multipartidário.A revisão constitucional foi acompanhada , nesse mesmo mês , por novas leis sobre as associações  (lei nº14/91), os partidos políticos (lei nº15/91), o direito de associação (lei nº16/91), a imprensa (lei nº25/91) e o direito à greve (lei nº 23/91)”.

Consequentemente, verificou-se o surgimento de organizações internacionais, como OIG´s, ONG´s,Igrejas, Instituiçõoes de Caridade, de solidariedade, de Assistência, etc., chegaram massivamente ao país.Uma nova dinâmica emergiu, sendo criado o Fórum das ONGs angolana (FONGA), para coordenar as ONGs nacionais, e o Comité das Organizações Não Governamentais em Angola (CONGA),responsável ONGs internacionais. (António, 2015)

Acrescenta-se que “ neste novo clima, surgiram numerosos partidos novos, a par de uma série de organizações não governamentais , grupos comunitários e associações proficionais.” (Hodges, 2003) Nesta senda, Przworski defende que “quando a repressão diminui, por quaiquer razões, a primeira reação é a explosão de organizações autônmas da sociedade civil.Organizações estudantis, sindicatos e protopartidos se forma do dia para noite” (António, 2015).

É assim que surgiu a Associação Cívica de Angola (ACA); Acção Angolana para o Desenvolvimento (AAD); Ação para o Desenvolvimento Rural e Ambiente (ADRA);Instituto Democrático para Assuntos Internacionais (NDI);Search for Comon Ground; Open Society Angola (OSISA); Associação Justiça,Paz e Democracia (AJPD);Intituto de Sistemas Eleitorais e Democracia; Associação Mãos livres;Conselho de Direitos Humanos;Plataforma de Mulheres em Ação (PMA);Fundação 27 de Maio;Omunga;Mpalabanda-Associação Cívica de Cabinda; S.O.S Habitat etc.

Depois do exposto passaremos para o enquadramento do nosso objecto de estudo nessa pesquisa, tal como se segue:

2.2       ASSOCIAÇÃO JUSTIÇA, PAZ E DEMOCRACIA

Definitivamente é uma organização de âmbito nacional, apartidária, de carácter voluntário, com personalidade jurídica na República de Angola, aberta a todos os homens de boa vontade.Abrevia-se na sigla AJPD , foi constituida aos 21 de Maio de 2000 em Luanda, por jovens estudantes universitários angolanos.Procedeu à sua escritura notorial aos 14 de Junho do mesmo ano e os seus estatutos foram publicados no Diario da República, III série-nº 32- de 11 de Agosto de 2000.

No dia 31 de Agosto de 2000 procedeu o depósito da Escritura Pública Nacional no Ministério da Justiça da República de Angola, conforme impõe a Lei 14/91 de 11 de Maio, para efeito de registo. A AJPD é constituída por um total de 23 membros, entre homens e mulheres.

2.2.1    OBJECTIVOS DA AJPD

A presente organização têm como objectivos, os seguintes:

  • Contribuir para a participação activa consciente e responsável de todos angolanos no processo de consolidação do Estado Democrático de direito, da paz, desenvolvimento e o reforço do respeito pelos direitos do homem em Angola, de forma pacífica e respeitando a legalidade democrática.
  • Promovere difundir a cultura e a realidade sócio-económica de Angola com vontade e justiça, reforçando desta forma os laços de amizade e de solidariedade entre todos angolanos, bem como apoiar a cooperação com todos os povos.
  • Propõe-se ainda contribuir para a promoção dos valores da paz, justiça e da democracia, nomeadamente a verdade, a igualdade, o amor e a liberdade.

2.1.2    VALORES E MISSÃO DA AJPD

Respeito pela dignidade da pessoa humana, Promoção da não-violência, do Voluntariado, da justiça, da verdade, do amor, da paz e da democracia e respeito das leis e da cultura angolana. Contribuir e trabalhar em advogacia dos direitos dos cidadãos e das comunidades em Angola através de programas e projectos que visem a protecção dos Direitos Humanos e cidadania. Portanto, a compreensão do processo decisor na AJPD vêm a seguir no terceiro capítulo.[1]

CAPÍTULO III: PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO NA AJPD

3.1 TIPO DE DECISÃO

A AJPD  têm uma direcção colegial e as tomadas de decisão são feitas em função deste modelo directivo. Todavia, decisões colectivas são aquelas decisões não individuais tomadas por um conjunto de individuos de forma colegiada. Em caso caso de duas alternativas de escolha os decisores seguem a regra da maioria simples. Esta consiste na metade dos decisores votantes presentes mais um, isto é,quando a metade dos decisores votantes presentes mais um possuema mesma preferência formar a maioria simples.[2]

As decisões colectivas submetem-se a regra da maioria, quanto aos passos e outros procedimentos no processo de tomada de decisão o funcionário alegou que “Tratam-se de assuntos internos institucional”.

A AJPD goza de autonomia institucional, administrativa e financeira.Por isso,é independente de qualquer governo,partido político, igreja ou interesses económicos.

 CONCLUSÃO

Ao longo do texto apresentamos de forma sintética a origem da palavra sociedade cívil e ficou claro que é uma esfera de debate entre as varias organizações política, religiosa,cultural, económica, movimentos sociais, em busca de resposta dos problemas públicos e privados que assolam todos.Em Angola, devido as opções totalitárias feitas pelo partido que proclamou unilateralmente a independência, não havia espaço privado de debate , o Estado esgotava-se no partido.Com os Acordos de Bicesse em 1991, se deu uma série de liberdades o que permitiu a emergência de associações extra-partidarias que dão voz até aos nossos dias como organizações da sociedade civil.A AJPD surge exactamente no momento em que se dá esta abertura para contribuir na participação política activa e consciente dos angolanos na consolidação do Estado de Direito.

No âmbito da disciplina “Tomada de Decisões Políticas” em sincronização com a forma como funciona o processo decisor, concluímos que trata-se de uma decisão colectiva.

Obras Citadas

António, N. D. (2015). Transição pela transação:Uma análise da democratização em Angola. Rio de Janeiro: PoloBooks.

Bravo, M. (1996). Angola:Transição para a Paz,Reconciliação e Desenvolvimento. Lisboa: Hugin.

Habermas, J. (1997). Direito e Democracia:Entre facticidade e validade (Vol. II). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.

Hodges, T. (2003). Angola: Do Afro-Estalinismo ao Capitalismo Selvagem. (F. Ribeiro, Trad.) Cascais: Principia.

Nery, I. (2004.). Politica e jornais:Encontros mediaticos. Oeiras: Celta.

Norberto Bobbio, N. M. (1986). Dicionário de Política. (J. Ferreira, Trad.) Brasília: UnB.

Oliveira, R. S. (2015). Magnífica e Miserável: Angola desde a guerra civil. Lisboa: Tinta da China.

Santos, B. d. (2012). Sociedade e Estado em Construção:Desafios do Direito e da Democracia em Angola. Coimbra: Almedina.

[1] Dados fornecido por funcionário

[2] Explicação do Professor de Tomada de Decisões Políticas Nelson Domingos António, Faculdade de Ciências Sociais,Universidade Agostinho Neto.

 

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Compra de Voto: Por António Cahebo


compra-de-votos-1A compra do voto é uma realidade nas eleições de vários países. Algumas observações empíricas confirmam que as eleições são caracterizadas por uma intensa negociação de bens materiais, favores administrativos e promessa de cargos (Gimbi;2006)[i]. Essas promessas de cargos após eleições, são os denominados por alguns autores como Job for the Boys[ii] e constituem, dentre estas variáveis, a mais sonante e sendo uma prática antiga, ela decorre dentro de determinados padrões recorrentes. Continuar a ler

Partidos Políticos e Sistemas eleitorais_Me Ilonka Costa


 

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A CIÊNCIA POLÍTICA E O ESTUDO DOS PARTIDOS

Roberto Michels tem como base do seu estudo o Partido Social Democrata Alemão (SPD) e alarga o mesmo estudo até ao funcionamento dos Sindicatos e outras Organizações sociais.
Formula a “lei de bronze” da oligarquia, onde vai dizer que os Partidos Políticos e outras organizações sindicais, estão ou são dominados por uma minoria; isto é, todas as organizações que disputam o poder estão condenadas a ficar sob as ordens de uma minoria.
Max Weber, faz uma análise dos Partidos na Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, partidos estes denominados “ Eclientilistas”.
Maurice Duverger, estuda os partidos Políticos enquanto organização na relação com os Sistemas Eleitorais, enquanto Sistemas de Partidos e a oligarquização dos mesmos.
Quanto a etimologia Stein Rokkan, politólogo norueguês, diz que a palavra Partidos tem origem no “Francês” “Partir. Por sua vez, Max Weber teoriza que a sua origem vem do Latim “PARS”, pois na altura em que a Itália era um conjunto de Repúblicas (fins da idade média) estava dividida em dois Partidos dominantes que são:
Pars Imperie (Gibelinos)
Pars Ecclesia (Guelfos).
Segundo Weber Partido Político é necessariamente uma empresa de interesses; o que significa dizer que um número relativamente restrito de homens, interessados em primeiro lugar na vida política e desejosos de participar no poder, recrutam partidários por adesão livre e candidatam-se eles próprios as eleições ou apresentam os seus protegidos, reunindo os meios necessários e vão a caça dos sufrágios.
Ainda o mesmo autor, entende que Partidos Políticos são relações de tipo associativo, assentando num empenhamento formalmente livre, que tem por fim obter para os seus chefes o poder no seio de um agrupamento e aos seus militantes activos, possibilidades ideais ou materiais de prosseguir metas, objectivos ou ter vantagens pessoais ou realizar umas e outras.
Os Partidos Políticos servem fundamentalmente para garantir a representação política dos cidadãos.
Joseph La Palombara e Myran Weimer propõem os quatro grandes pilares que caracterizam os Partidos Políticos, que são:
1 – Uma organização duradoura, isto é, uma organização cuja esperança de vida política seja superior a dos seus dirigentes em funções;
2 – Tem uma organização local bem estabelecida e aparentemente durável, alimentando relações regulares e variadas como uma instância nacional;
3 – Caracterizam-se pela vontade deliberada pelos dirigentes locais e nacionais da organização, de tomar ou de exercer o poder sós ou com outros e não simplesmente de influenciar o poder;
4 – Preocupação de procurar apoio popular através das eleições ou de outro modo.
A ORIGEM DOS PARTIDOS
O Estado constitucional moderno, surgiu em finais do Séc. XVIII na sequência da institucionalização dos direitos do rei, onde aparecem os partidos para a manutenção do parlamento constitucional.
No caso angolano, surge em 1975 com a independência nacional; pois, o que caracterizava o Estado constitucional moderno é o aparecimento de constituições escritas, a separação de poderes do Estado, a consagração do princípio de soberania nacional, ou popular, a declaração dos direitos civis e políticos dos cidadãos.
Os direitos políticos são: o direito ao voto ou sufrágio censitário (restrito) que tinha como base o poder económico que limitava o parlamento e outros sectores do Estado apenas para os mais abastados.
Entretanto quando se passa do estado constitucional moderno (liberal) para o estado democrático é também quando se passa do sufrágio censitário para o universal e é neste contexto de modernização dos Estados que surgem os partidos políticos tal como nós os conhecemos hoje. A introdução do sufrágio universal obriga os partidos a reorganizar-se para arrebanhar votos e movimentar massas.
A ideia do Estado democrático tem como base do sufrágio universal. Aliás, é assentado neste princípio que surgem os partidos políticos modernos sem a influência dos notáveis. Assim passou-se a ter os partidos de massas que surgem no final do Séc. XIX como partidos de esquerda.
AS FUNÇÕES DOS PARTIDOS POLÍTICOS SEGUNDO P.H MERKEL & GEORGES LAVAU
Merkel distingue 6 funções que são:
Recrutamento e selecção de pessoal dirigente para os cargos de governo; cabe aos partidos políticos trazer sangue novo ao serviço das instituições e impedir que elas fiquem estagnadas, ou seja, contribuir para uma renovação permanente do pessoal;
Génese de programas e de políticas para o governo; no sistema multipartidário cabe aos partidos proporem aos cidadãos programas que venham a realizar-se caso estejam no poder suposto. Os partidos têm um programa que estuda uma visão ideológica sobre a sociedade, ou seja, um programa que supostamente será usado em tempo de campanha explicando/expondo nas campanhas eleitorais.
Coordenação e controle dos órgãos governamentais (tudo que são instituições no poder)
– os partidos servem de correio de transmissão entre os eleitos e eleitores, ou seja, desempenham a função de ligação entre os órgãos eleitos e eleitores aparecendo publicamente prestando contas respondendo as questões dos populares e também ajudam no controle dos eleitos e eleitores.
– Enquadramento e disciplina a que os partidos prosseguem os seus eleitos, politicamente os partidos têm o dever de assegurar que os seus membros eleitos funcionem segundo os seus estatutos, sob pena de perder funções.
Integração societal pela satisfação e conciliação das demandas do grupo e por um sistema comum de crenças e ideologias.
– Cabe aos partidos políticos servirem de intermediários das reivindicações pontuais ou não de grupos sociais, associações ou grupos de pressão, ou seja, os partidos canalizam os interesses e ambições de cada grupo.
Integração social dos indivíduos através da mobilização de apoios e da socialização política.
– estruturação do voto com base em EPSTEIN: tem a ver com os indivíduos em si, daí a noção sociológica e cabe a estes fazer com que os indivíduos se sintam integrados e por isso os partidos procuram apoios ou necessitam de o fazer para aumentar os seus aderentes;
– é a partir dos partidos com os quais se simpatizam e integram na busca pelos seus interesses, cabe a eles incentivar e enquadrar os indivíduos na politica, para que os mesmos possam agir no sistema politico.
Função de contra-organização e subversão: cabe aos partidos representarem aqueles que não se reconhecem no sistema.
Georges Lavau distingue 3 funções:
Revezamento político: corresponde a 1º de Merkl, permite que o sistema se vai renovar.
Legitimação e estabilização: engloba as 2º, 3º, 4º e 5º de Merkl; onde os partidos asseguram a representação política e legitimam a mesma com a sua máquina publicitaria ou propagandística para manter a estabilidade do sistema.
Tribunícia é a que Merkl chama de contra-organização e subversão;
– que os partidos devem desempenhar no sentido do protesto.
Para que servem os partidos? (Garantir a representação política do cidadão)

A ESTRUTURA DOS PARTIDOS POLÍTICOS
DO APARELHO PARTIDÁRIO

O sistema de Partidos modernos são fruto de uma evolução e poder-se-á considerar que existem duas origens para os Partidos Políticos.
Origem eleitoral e Parlamentar
Origem exterior (ao Parlamento)
Quando se começaram a formar os Partidos Políticos modernos, estes surgiram a partir do Parlamento. Por exemplo em Inglaterra, após a revolução de 1689, que fora a revolução que implantou o regime que ainda hoje vigora. Foi assim que se começaram a formar dois grandes grupos partidários que são os Tories e os Whigs que representavam atitudes diferentes no Parlamento.
Os Tory foi a designação adoptada para aqueles que tinham atitudes ou ideias mais conservadoras no Parlamento e também para insultar o rei católico Jaime anti-protestante e anti- republicano. Quanto aos Whigs estão associados a pequena nobreza ou seja os terra-tenente.
Estas são as duas correntes que deram origem aos Partidos Conservador e Liberal, designação adoptada a partir do século XIX.
No início do século XX em Inglaterra surge um novo Partido Político no sistema político que é o Partido Trabalhista (Labour Party), com uma origem exterior ao Parlamento.
Aparece a partir de uma decisão num congresso dos sindicatos “Trade Unions” em 1892; ou seja reunião de grandes multidões que não eram representadas. No entanto, só o aparecimento de pequenos grupos de carácter socialista é que esta representação se efectiva.
No congresso de 1899, com a junção da sociedade fabiana, um pequeno Labour Party e outros é que surge então a ideia da formação do Partido Trabalhista que conhecemos hoje.
Em 1900, surge o comité de representação trabalhista que pela primeira vez consegue eleger 15 deputados e a designação de Partido Trabalhista é de 1906. Em 1920 ultrapassa o Partido Liberal.
DO APARELHO PARTIDÁRIO

PARTIDOS DE ESTRUTURA DIRECTA
São aqueles em que a filiação é individual, portanto, cada membro do Partido paga as suas quotas e tem o seu cartão, participa nas reuniões da respectiva célula em que pertencem e sentem-se vinculados ao Partido.
PARTIDOS DE ESTRUTURA INDIRECTA
São aqueles em que a filiação é colectiva predominantemente e em que quem é membro do Partido são organizações de agricultores, Grupos de Intelectuais, Operários, etc… Por exemplo o Partido Trabalhista Inglês, onde os seus membros eram os elementos dos sindicatos, todavia, estes eram indivíduos que não eram obrigados a pertencer ao Partido, desde que manifestasse a sua vontade em não o fazer.
Foi com John Smith que o Partido Trabalhista começou a diminuir o peso dos sindicatos no seu seio e mais tarde Tony Blair dá continuidade a este trabalho onde os membros do Partido tinham primeiro que pertencer aos sindicatos e depois aos partidos.
Os Partidos de estrutura Indirecta já existiam nas mais variadas organizações de onde surgem os Partidos Políticos através da unificação ou união destas organizações; ou seja, estes surgem ou são formados através de diversas organizações com autonomia económica, que se unem para se tornar reconhecidos politicamente ou Parlamentarmente e que vão evoluindo a sua estrutura até tornarem-se Partidos Políticos de estrutura directa.
Os Partidos de estrutura directa são regra e os Partidos de estrutura indirecta excepção.
ELEMENTOS DE BASE NOS PARTIDOS
O Partido Político se pode definir como uma comunidade, uma reunião de um pequeno grupo disseminado num determinado espaço geográfico «países» ligados por órgãos ou organismos coordenadores.
As características destes pequenos grupos são fruto de uma série de factores ideológicos, históricos e sociológicos. Assim, Duverger faz uma grande distinção de quatro tipos de elementos de base:
Comité (Partidos de direita)
Secção (Partidos de esquerda = Socialistas)
Célula (Partidos de esquerda = Comunistas)
Milícia (Partidos de extrema-direita).
O Comité é o elemento de base próprio dos Partidos na sua fase de formação ou seja, quando começaram a surgir no século XIX, eram, um conjunto de comités ou Federações que caracterizavam-se por reunirem um número de membros em função da qualidade destes membros e sem a preocupação das quantidades, isto é, tem como base Comités cujos seus membros são pessoas de prestígio com influência eleitoral como elementos de base.
Nos EUA, eles defendem o Spoil’s System (Sistema de decomposição), que é a actividade de repartir os diferentes membros dos Partidos nos diversos cargos políticos ou administrativos. Os Lobbies estão institucionalizados onde existem empresas que funcionam na compra de favores.
A Secção é uma invenção socialista segundo Maurice Duverger, no sentido em que surge com o aparecimento dos Partidos Socialistas. São os Partidos nascidos do movimento operário que representam os trabalhadores nas países industrializados (difere de país para país).
Os partidos não tinham meios para sobreviver e por isso fazem o recrutamento dos membros e procuram obter o maior número para sobreviver através das quotas e, estavam sempre em movimento, procuram formar politicamente os seus membros para que tenham capacidades de intervenção.
* São o elemento base que surge com os Partidos socialistas o qual represente os trabalhadores.
Diferenças entre Comité e Secção

N/0 COMITÉ SECÇÃO
1 Apresenta um carácter restrito. Carácter amplo.
2 Preocupa-se com a qualidade dos seus membros. Procura alargar a quantidade para sobreviver.
3 Seus membros entram por Cooptação (quem é indicado). È relativamente aberta a adesão.
4 Reúne notações em função da sua influência. Faz apelo à massas.
5 A área geográfica do Comité é mais ampla (como Município e Província). A área geográfica da Secção é mais pequena (Como por ex., o MPLA a Secção tem como área a Comuna.
6 São activos durante o período eleitoral. Sua actividade é regular, onde se procura formar politicamente os seus membros e não só, mas também a táctica eleitoral.
7 São mais descentralizados (Qdo organizados em comités). São menos descentralizados (Qdo organizados em Secção).
8 O Comité é uma característica dos Partidos de direita. A Secção é uma característica dos Partidos de esquerda.

A Célula é a secção de base dos Partidos de características comunistas. Não tem por base uma área geográfica mas sim uma base profissional. Segundo o seu modelo, ela situa-se numa fábrica, escola e outros locais.
Este tipo de organização é mais restrito e mais centralizado, era influenciado por uma estratégia política de tipo revolucionário, pois permite ao partido comunista resistir e sobreviver quando passasse a clandestinidade.
As Milícias são elementos de base característicos dos partidos de Extrema direita como o partido NAZI e FACISTA e outros de caris social nacionalista, Partidos que tinham organização em Célula ou Secção. O que lhes dá uma característica própria é a associação dos grupos paramilitares porque se recusavam a aceitar as práticas democráticas e tinham como recurso a força das armas.
ARTICULAÇÃO GERAL DOS PARTIDOS
Refere-se a forma como as diferentes componentes do Partido se articulam entre si. Normalmente reflecte ou demarca a articulação política do país, ou seja, os Partidos organizam-se de acordo a organização político-administrativa do Estado.
A forma como os partidos se articulam é que determina o seu carácter forte ou fraco. O que influencia o carácter forte ou fraco dos partidos políticos são:
A tradição
A História
A ideologia
E o sistema eleitoral.
Os partidos organizados por Comités têm característica fraca devido a sua natureza de funcionamento em períodos eleitorais e por visar sobretudo a qualidade dos seus membros e não a quantidade. Os aspectos organizativos que influenciam a organização forte ou fraca são:
Ligação Vertical
Ligação Horizontal
Centralização/Descentralização
Ao partidos organizados em Secção são tradicionalmente os Socialistas e, é o carácter centralizado que os torna fortes. Existe uma ligação vertical onde há uma relação de submissão entre os vários órgãos.
No caso dos Partidos organizados em Comités, a ligação do tipo vertical é fraca e tende a ser uma ligação mais horizontal. Nos Partidos organizados em Célula e Milícia, a articulação é muito forte pois, há grande concentração de poder no topo devido a sua própria natureza organizativa (Centralização/Descentralização).
Num partido com uma ligação horizontal, que está estruturado por vários órgãos que na tomada de decisões os vários membros das suas diversas estruturas têm de se encontrar para tomar as decisões.
Nos Partidos Comunistas a ligação vertical é muito forte devido ao seu carácter.
Existe quatro (4) tipos de Centralização/Descentralização:
Local
Ideológica
Social
Federal
Local – o grau de maior ou menor autonomia que os estatutos dos Partidos atribuem as estruturas locais, ou seja, capacidade de tomar iniciativas.
Ideológica – refere-se ao grau de autonomia que se atribui ou não as diversas facções ou tendências existentes no interior do Partido e a influencia que estas podem ter diante dos órgãos dos Partidos ou dos seus membros
Nos partidos organizados em Secção e com articulação forte, podem ter uma descentralização ideológica forte. Por Ex. o Partido Social francês onde por vezes tem um Líder, um Jornal e uma Sede.
Social – Normalmente observa-se nos Partidos indirectos, tem a ver com a possibilidade das várias organizações se reunirem, ou seja, onde as organizações surgem automaticamente.
Federal – refere-se ao facto de haver Partidos pela organização do país em Estados ou regiões, são Partidos que têm as organizações que correspondem a cada região, ou seja, é o facto do carácter da administração política ou federativa das estruturas ou organizações com um grau de autonomia que um Partido concede as estruturas federais ou regionais.

GRAU DE ADESÃO, LIGAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NO SEIO DOS PARTIDOS
Em relação ao grau de adesão, podemos observar dois tipos:
Aberta
Regulamentar
Aberta- na qual não se observa nenhuma condição prévia para que qualquer indivíduo faça parte de um dado Partido (Observa-se mais nos Partidos Políticos dos EUA, pois, apenas primam pela qualidade dos seus membros. Na Europa apenas depois da IIª GM e exigia-se dois padrinhos).
Quanto a ligação e participação no seio dos partidos, podemos observar quatro tipos:
O circo de eleitores,
Simpatizantes,
Aderentes
e Militantes
O Circo de eleitores são todos aqueles cidadãos que em determinada eleição votaram num Partido ou seja, distingue-se da maioria porque exerce o direito de votar no Partido político;
Simpatizantes – é aquele que mantém a sua fidelidade e simpatiza com um Partido por um período longo, que vai as reuniões, campanha, manifestações, etc…, porém não é quantificável;
Aderente – São aquele número que aparentemente são mais fáceis de quantificar e que estão vinculados ao partido (cumpre com os pré-requisitos de adesão) e podem ser:
Estáveis – Aqueles que nunca abandonam o partido por qualquer situação;
Instáveis – Aqueles que emigram para o partido que lhe oferece melhores condições.
Militantes – São um círculo muito específico e pequeno de aderentes ou seja, aquele núcleo duro que mantém o partido activo, os mais disponíveis e que acompanham o partido em todo lado.

Factores que interferem na decisão do Voto. Quais são?
Paradigma Utilitarista
O acto de votar por um partido é essencialmente uma acção instrumental, isto quer dizer, parte de um cálculo. Neste sentido, a quem desenvolve esta tese afirmando o princípio da escolha racional, ou seja, as pessoas votam no partido a partir da apreciação que fazem do programa e propostas eleitorais. (Adaptar o programa aos anseios do eleitorado).
Paradigma de Michigan (EUA)
Caracteriza-se por considerar que essa opção de voto se deve a diversos factores:
Culturais, que gerem forças eleitorais a longo prazo
Conjunturais – que gerem forças eleitorais a curto prazo;
Estruturais – são aqueles que podem influenciar a decisão do voto, tais como a raça, etnia, religião, etc…
Destes factores Conjunturais/Estruturais podem surgir quatro tipos de eleições:
Eleições normais – é quando forças eleitorais de longo, curto prazo convergem no mesmo sentido, portanto os eleitores manifestam-se fiéis aos partidos com que se identificam;
Eleição de desvio – é quanto as forças eleitorais de curto prazo invertem o voto normal dos eleitores;
Eleição de restabelecimento – é quando após uma ou duas eleições de desvio, se volta ao normal, ou seja a relação de força dos partidos;
Eleição de realinhamento – quando há uma mudança estrutural no sistema de partido e os resultados estabilizam de uma forma diferente.
Paradigma de Daniel Gaxie
Privilegia os factores de politização e da participação política. Diz que as pessoas votam segundo o seu grau de politização e a capacidade política depende das condições sociais e culturais dos eleitores (modelo de censo escondido).

TIPOLOGIA DOS PARTIDOS POLÍTICOS
SEGUNDO A LÓGICA DA ORGANIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO

A tipologia clássica de Maurice Guverger é aquela que faz a distinção entre Partidos de Quadros e Partidos de Massas.
Partidos de Quadros são a forma organizativa dos partidos na sua primeira fase, sobretudo no séc. XIX, organizavam-se em comités em que existiam sistemas políticos parlamentares, porém não democráticos (sufrágio censitário).
Partidos de Massas surgem quando o sufrágio se torna universal e também começam a surgir novas correntes de carácter ideológico. No entanto, o surgimento deste tipo de partido não implica o desaparecimento dos Partidos de Quadros. São aqueles que se caracterizam por enquadrar todos aqueles que começaram a ter direito a voto e também são aqueles cujo elemento de base é a secção e são fortemente articulados.
Partidos semi-Massivos são partidos norte americanos por ter uma organização peculiar e comités «organização Eleitoral». Não são iguais aos partidos na Europa ou no resto do mundo
Não têm estrutura onde funcionam, pois, só se organizam para os pleitos eleitorais
Partidos comunistas, Nazis e Fascistas são partidos de massas com uma natureza especial a que Duverger chama “Partidos totalitários”. Não pensa na natureza do regime, mas sim na forma como estes se organizam na sua estrutura, têm uma doutrina forte, centralizados e procuram influenciar todas as actividades, sobretudo as dos seus membros.
Partidos dos Países subdesenvolvidos
Segundo GURVITCH, são partidos com características especiais. Por um lado são partidos de estrutura de massas e acabam por reflectir características locais e Inner Circle (circulo interior) com gente muito distante daquilo que são as suas bases e por isso são obrigados a recorrer as estruturas tradicionais para suprimir estas lacunas.
JEAN CHARLOT defende a tese de (Partidos eleitorais, Partidos de Militantes (Massas) e Partidos dos notáveis (quadros).
Para ele, Partidos eleitorais são aqueles em que o autor reflecte a realidade Francesa, estava a pensar naqueles partidos que não eram nem de massas nem de quadros, onde federavam várias associações e conseguiam até ter grande importância do ponto de vista eleitoral, sem que fossem no entanto partidos de militantes como por exemplo o “Partido Gaullista”.
SIGMUND NEUMANN defende a tese de (Partidos de Integração social, Partidos de representação individual e os Partidos de total Integração).
Partidos de Integração social é uma forma de se referir aos partidos de massas, mas pegando numa outra característica; Partidos de Esquerda, porque são partidos que se caracterizam:
por ter uma grande influencia na sociedade
e por influenciar redes de organizações paralelas que não são as cooperativas, os sindicatos e toda uma série de movimentos de acção social (Associação mãos livres).
Partidos de representação Individual são partidos com poucos aderentes que se notabilizam nos períodos eleitorais e também caracterizam-se por seleccionar seus próprios membros (Com dinheiro, poder e Influencia).
Partidos de total Integração são partidos que envolvem totalmente os seus membros.
OTTO KIRSCHHEIMER (Catch all Party «Piglia Tutto»)
Após a IIª GM, os partidos de massas foram perdendo as suas características tradicionais:
Uma redução drástica da componente ideológica,
Um esforço de liderança do grupo de topo (Boreau político);
Esbatimento(atenuar =dimunição) do papel individual dos membros do partido;
Uma desvalorização da natureza de classe ou da especificidade de quem queira influenciar, visa atrair o maior número de eleitores em toda a população;
Procuram reunir e mobilizar uma grande variedade de grupos de interesse.

PROBLEMA DOS DIRIGENTES
Max Webber faz uma abordagem dos Líderes carismáticos e empreendedores políticos.
Líderes carismáticos são aqueles que conseguem cativar e arrastar consigo muita gente para os seus ideais, quase considerados como profetas. Os líderes carismáticos do passado poderiam ter estabelecido as bases para um novo rumo da trajectória da humanidade, conduzindo-a para uma construção harmónica e pacífica através do aprimoramento.
Empreendedores políticos são aqueles dirigentes movidos por interesses ou que investem no partido para construir uma carreira (Bento Cangamba e Bento Bento).
ESCOLHA DOS DIRIGENTES
Depende do grau de democratização existente no partido, possibilitando uma eleição livre ou por indicação.
CHEFES APARENTES E CHEFES REAIS
Existem partidos em que nem sempre são os titulares dos cargos que de facto dirigem, pois, por detrás destes titulares que ocupam os cargos, pode haver eminências partidárias que são aqueles que não dão a cara, mas têm poderes reais de direcção partidária. Como nos EUA, o BOSS que é quem atribui os lugares e coloca nos diversos cargos os membros do Partido.
RELAÇÃO ENTRE OS DIRIGENTES DOS PARTIDOS E PARLAMENTRES
Segundo DUVERGER, existem três tipos de relações entre os dirigentes do partido e os Deputados:
Relação de domínio do dirigente do partido (onde os deputados só votam as resoluções do Partido);
Autonomia dos deputados (onde estes são autónomos nas suas decisões)
Relação de coabitação (onde os deputados aplicam o meio termo entre as decisões do partido e os seus pontos de vista).

PROJECTOS OU DIMENSÕES IDEOLÓGICAS DOS PARTIDOS
Existem várias famílias de Partidos Políticos:
Famílias políticas dos Partidos Comunistas; Famílias políticas dos Partidos Sociais democratas (Inclui socialistas); Famílias políticas dos Partidos ecologistas ; Famílias políticas dos Partidos Democratas Cristãos; Famílias políticas dos Partidos Liberais; Famílias políticas dos Partidos Agrários; Famílias políticas dos Partidos Conservadores; Famílias políticas dos Partidos de extrema direita; Famílias políticas dos Partidos de extrema esquerda.
É a partir destas famílias que se formam as coligações, dada a sua proximidade ideológica, isto é, o factor ideológico que une estes partidos.
Os Ecologistas são fáceis de caracterizar porque são Partidos que têm como programa defender o meio ambiente. Todavia há famílias que são difíceis de caracterizar como os de extrema direita e os democratas Cristãos, pois no seu seio albergam diferentes facções ideológicas ou de diferentes ideias partidárias.
Os democratas Cristãos já têm um passado mas, acabam por acolher no seu seio várias ideologias onde se inserem a CDU (Alemanha), Partido da democracia cristâ Italiana e outros partidos com características diversas. (Há muitas divergências porque cada facção defende a sua religião).
Os Conservadores também são partidos com características muito diversas. No entanto, o problema das famílias encontra-se na sua arrumação em termos ideológicos, como os socialistas comunistas que pertencem a mesma família ideológica, o que torna fácil a união destes tipos de partidos políticos.
Dualismo Esquerda/Direita: Começou a ser utilizado a partir da Revolução Francesa para situar os Partidários do veto real na Assembleia revolucionária.
Para Maurice Duverger, as lutas políticas caracterizam-se em dois grandes pólos. No caso Francês, entre Jacobinos e XIX a luta política no caso da Inglaterra, entre os Liberais e Conservadores e no Século XX, o dualismo estava dividido entre Burgueses e socialistas como dizem os Nórdicos.
No entanto, não existe uma doutrina ou ideologia política do Centro. Aquilo que se chama Centro são sempre as esquerdas da Direita e a direita da esquerda. Todavia, dentro de um sistema partidário existem mais Partidos Políticos porque os sistemas eleitorais permitem. Por exemplo, o sistema de maioria absoluta a uma volta, favorece ao bipartidarismo devido a sua característica.
Porém há dois fenómenos que contribuem para o multipartidarismo:
Um deles é o que Duverger chama de fraccionismo e ou a sobreposição.
No primeiro caso é que todos os campos políticos sofrem um processo num extremo ou noutro extremo, isto é, os puros e duros tendem a ir para uma extrema direita ou extrema esquerda e, os mais liberais formam o centro ou estão no centro.
Sobreposição acontece quando várias espécies de ideologia não coincidem com o dualismo partidário. Por exemplo: causas de carácter religioso no caso da Bélgica e Holanda.
Paradigma das quatro Clivagens fundamentais (Stein Rokkan)
Procura elementos de carácter histórico sociológico que têm em conta os conflitos que se exprimem através dos partidos nos diversos sistemas políticos. São eles:
Possedentes trabalhadores;
Igreja – Estado; (Secularização = Separação entre a igreja e o Estado)
Centro – Periferia;
Rural – Urbano. (entre a cidade e o campo)

Possedentes/Trabalhadores
No lado dos trabalhadores os Partidos que se inserem são os Partidos Operários ou de esquerda. Partidos de países marcados por uma industrialização e um capitalismo formados por operários que estão ligados a organizações sindicais.
No lado dos possedentes estão os partidos burgueses e patrimoniais que caracterizam-se por terem como objectivo a defesa dos interesses económicos ou nos negócios. A sua base social são os proprietários, os patrões ou seja os quadros. São partidos ligados as confederações patrimoniais.
Igreja-Estado
Inserem-se dois grandes grupos que são os de defesa religiosa, aqueles que defendem os valores e os interesses de algumas religiões. Surgiram nos processos revolucionários defendendo um catolicismo social. Estão ligados ao associativismo religioso e são partidos inter-classistas porque chegam a ter uma grande influencia no seio dos trabalhadores. São os que se inserem na clivagem Igreja.
Partidos secularistas defendem a laicização ou separação da Igreja com o Estado e tem a sua origem a partir da e da maçonaria liberalização económica. Maçonaria/Opusday.
Centro-Periferia
O centro está associado a ideia de Estado centralizado. Na periferia a ideia de Estado não é centralizado. Inserem-se dois grupos os Centralista que defendem o Estado-Nação contrários a qualquer ideia de autonomia das minorias e ainda defendem a ideologia de união nacional. Estes partidos podem ter uma base social diversificada pois normalmente estão ligados a movimentos nacionalistas, uma vez que não apresentam um programa nem de esquerda nem de direita mas sim de união nacional. São partidos xenófobos e racistas que se opõem a imigração situando-se naquilo que são os de extrema direita. (UNITA)
Os que se inserem ou se entendem por periféricos são os partidos que defendem um determinada unidade territorial não centralizada, partidos etno-nacionalistas que estão ligados a um identidade linguística e cultural. (PRS)
Rural-Urbano
Partidos eco-agrários são os que defendem os interesses dos agricultores que surgem em certos países após a Revolução Industrial. Também inserem-se os partidos ecológicos que defendem um não a Globalização e Industrialização e também a urbanização.
Partidos dos urbanos ou produtivistas são aqueles que defendem o desenvolvimento industrial ligados as classes média e alta e surgem a defender questões pontuais como do consumidor.
SISTEMA DE PARTIDOS
Sistema de Partido é a forma ou modalidade de coexistência entre os diversos Partidos políticos. O sistema de partidos tem a ver com características específicas e outros factores;
Maurice Duverger privilegia como elemento de caracterização o factor numérico, ou seja o número de partidos.
Factores específicos são a tradição, a história, as crenças religiosas e composição étnica.
Factores Gerais
São os socioeconómicos, ideológicos e técnicos. Por exemplo de factores socioeconómicos temos a estrutura de classes, a génese e a influencia que exercem na sociedade.
Exemplo de factores são as ideologias e a forma como estes influenciam as posições das classes e a formação dos partidos.
Factores técnicos – temos como exemplo muito especialmente o sistemas eleitoral que é o que influencia a forma como os partidos se estruturam.
Sistema de partidos é um conjunto estruturado e constituído por relações ora de oposição, ora de cooperação que existem entre os partidos políticos, agindo na arena de uma dada sociedade política.
Duverger estabelece uma tipologia de sistemas de partidos que tem como princípio que é o número de partidos. O primeiro princípio que ele considera é o dualismo de Partidos ou Bipartidarismo
No entanto defende que nunca há casos de dualismos puros mesmo naquele caso que mais se aproxima dessa pureza que é o caso dos EUA, pois existe uma multiplicidade de partidos além dos dois grandes que elegem membros para os Estados.
Na Inglaterra existe uma longa tradição de bipartidarismo e só se entrou numa fase de tripartidarismo em 1918 a 1935(durante a guerra de Hitler).
Aqui O bipartidarismo é um sistema de partidos baseado na alternância no governo de forma mais ou menos regular de dois partidos com vocação maioritária. Considera-se que há bipartidarismo quando qualquer que seja o número de partidos com representação parlamentar, no sistema a funcionar com alternância de dois partidos maioritários.
Duverger considera que o dualismo é normal na maior parte das sociedades mas existem factores que contribuem para a efectivação e manutenção do dualismo como o próprio sistema eleitoral.
No sistema bipartidário a nota dominante é a fraca hipótese de outros partidos políticos ascenderem ao poder e o revezamento de duas forças políticas no poder.
Quanto ao multipartidarismo, Duverger designa como um sistema de partidos que assenta na ausência de governos maioritários e monopartidário. Consequentemente os governos de coligação são a regra e o governo de um só partido a excepção. Duverger Distingue:
Tripartidarismo
Quadripartidarismo
Polipartidarismo.

Tripartidarismo
São aqueles sistemas políticos que se formaram em finais do século XIX e princípio do século XX na Inglaterra; Austrália, Bélgica e Nova Zelândia. No caso de Inglaterra quando uma terceira força política veio criar um sistema tripartidário com três grandes concorrentes: os Liberais, os Conservadores e os Trabalhistas.
Quadripartidarismo
É o que Duverger considera a existência de quatro partidos principais num sistema político. Duverger refere-se sobretudo a países Escandinavos onde viria a surgir uma quarta força partidária que são os agrários, que procuram movimentar e o apoio de uma base social rural.
Polipartidarismo
É o sistema de partidos que de acordo as suas características históricas e sociais dão origem a múltiplos partidos sobretudo pelo sistema eleitoral. Exemplo: Angola França, Holanda e Itália.
Jean Blondel
Nos anos 60 de século XX, Blondel teorizou a tipologia dos sistemas de partidos, distinguindo-os em:
Sistema de dois Partidos
Sistema de dois Partidos e meios
Sistema multipartidário em partido dominante
Sistema multipartidário sem partido dominante

Sistema de dois Partidos, Blondel alarga a outros tipos de sistemas partidários que não correspondem a tipologia clássica de Duverger. No entanto acrescenta outros países com sistemas bipartidários como a Áustria, Nova Zelândia e Austrália, que não fazem parte do tipo de países estudados por Duverger. Tudo porque o sistema não permite a existência de dois partidos que alternem no poder entre si, mas que de facto funciona como tal.

Sistema de dois Partidos e meio
É o sistema existente na Alemanha, Bélgica, Canadá, Irlanda e Luxemburgo. É aquele sistema de partidos em que para a constituição de maioria, os dois grandes partidos têm a necessidade de coligar a um terceiro.
Partido Pivot- é um pequeno e médio partido que podendo alternar a sua aliança, pode contribuir para a formação de maioria.
Como por exemplo o partido liberal na Alemanha.
Partido Charneira – é aquele partido importante, por vezes o mais importante, em torno do qual se formam maiorias. Por exemplo: a democracia cristã em Itália que sendo o principal partido, governava partilhando o poder com partidos de Direita ou Centro/Esquerda, mesmo quando não era necessário formação de coligação.

Sistema multipartidário com partido dominante é aquele sistema onde existem um partido dominante que por razões históricas consegue em determinadas eleições formar governo sozinho ou em coligação, de forma regular.
Por exemplo: O partido da Independência da Islândia.

Sistema multipartidário sem partido dominante é aquele onde existe vários partidos, mas onde nenhum deles consegue formar governo sem coligação e não existe um partido dominante devido a extrema fragmentação do sistema. São países governados por coligações de Centro/direita ou de Centro/esquerda.
Exemplo: Holanda, Suíça e Finlândia.